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		<pubDate>Fri, 12 Feb 2010 13:16:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexandre costa</dc:creator>
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		<title>ENIGMA &#124; Alexandre Costa</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Jan 2010 18:45:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexandre costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>

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<p>Porque havia um motivo, e porque um motivo determina alguma coisa, havia “esse” motor causante, aristotélico, que movia os dois. E tudo teve início porque havia a solidão e havia o amor também: a solidão e o amor criaram o motivo. O amor se manifestara de uma forma inesperada e acidental, quase inocente. Para os dois aconteceu que a soma das distâncias ao contrário de afastá-los os aproximou, não porque eles manifestaram esse desejo, mas porque tudo na vida faz parte de um processo, e os fatos psíquicos que atuaram na conduta dos dois os uniu assim: longe do alcance moral do que praticaram.<strong></strong></p>
<p>A escassez daquilo que se tem sem se ter adquirido por compra ou troca era a razão agora que movia Jade para longe de Jorge -  e teria sido apenas ele e mais ninguém o motivo do amor que nascera há muito tempo e que agora se quebrara vítima das expectativas dela. O amor é assim, cheio de esperas, mas aquilo que a gente espera do amor nem sempre é aquilo que o amor quer nos dar. Ela criara dentro de si o desejo de uma vida “que virá”, e talvez até tivesse uma esperança fundada em supostos direitos adquiridos ao longo dos anos, convertidos agora em possibilidades e promessas que não se concretizaram. Talvez isso tivesse tornado tudo que viria a seguir em “verdade”, ou talvez seja eu quem enxergue além do que se pode ver.<br />
Porque havia esse motivo, e porque nada podia fazer mais sentido do que expatriar-se, ela tenha se desligado da percepção de tristeza e mágoa que a vida lhe sujeitava a experimentar. Mas querer – agora – não fazia muito sentido, porque querer é vontade e intenção, é ter de admitir ou acreditar que algo pode mudar com o nosso consentimento – no caso com o consentimento dela. E para não se explicar ela decidiu que aquele encontro casual seria apenas isso – por hora.<br />
Encontraram-se por puro acaso no Bistro Du 17ème em Paris, na 108 Avenue Villiers, aliás, não se encontraram, trombaram um no outro, quase um acidente. Podiam mesmo decidir-se ir embora e nunca mais tornar a encontrar um ao outro, mas o desejo de estar em certo lugar ou em certa companhia, ou as duas coisas juntas os aliciou – porque o motivo já existia e nada podia evitar o que já estava determinado. Lembro-me que ela disse “&#8230;não acredito no determinismo!” Mas os fenômenos às vezes se unem de modo tão rigoroso que, em certo momento, tudo está completamente ligado: o que se passou ou o que existe – condicionando o que virá.</p>
<p>Podiam decidir-se ir, mas preferiram ficar. Porque por mais que não percebessem já havia a cumplicidade da escassez que enchia os dois, e foi por culpa dos dois que não desviaram o olhar, não evitaram o “olá!”, que sempre vem acompanhado da curiosidade pelo timbre da voz do outro, dos movimentos do corpo, do diálogo escondido em cada piscar, por debaixo das pálpebras. Sim, era tudo isso que eles não podiam ver que os unia naquela hora extraordinária. E como se fosse ali a primeira vez que se encontravam, descobriram que era preciso ficar. Ficar e perceber em cada um a vontade desnuda; e a vontade é desejo de representar mentalmente o que pode ou não ser praticado em obediência a um impulso ou a motivos ditados pela razão. Ponderar era preciso. E o acaso que era o “mais novo momento” para ambos virou rotina. Um caminho conhecido e já percorrido pelos dois era o Le Parc Monceau. Encontravam-se quase todos os dias em frente ao grande portão dourado da entrada, paravam na ponte sobre o lago, e o reflexo dos dois na água era o reflexo de suas vidas – colocadas ali por ambos – em capítulos precisos e cheios de uma esperança retroativa. Nessa hora não entendiam como a vida funcionava: o determinismo teimosamente incoerente com a convicção de cada um era algo que já estava escrito e que, ao mesmo tempo, ambos podiam modificar, e podiam de certa forma perceber isso em cada um e ao redor. Não sei o que dizer ou pensar, talvez não se possa perceber se existe uma “vontade” ou um “motor” que alimenta a engrenagem do amor, talvez seja esse o grande mistério, talvez seja esse o verdadeiro enigma, algo impenetrável à razão humana. De qualquer maneira os dois estavam ali – talvez fantoches de uma vontade além da compreensão, talvez espíritos livres do segredo que o criador escolheu não compartilhar com a criação.<br />
A cada amanhecer a vida podia lhes dar precaução e cautela; amor e desejo; sexo e fibras no café. A cada momento dúvida e certeza; frio e quente; preto e branco – coisas sem sentido fazendo sentido; rotina sem o humor natural da surpresa. E depois de um bom tempo todo o sobressalto do acontecimento inesperado se converte em hábito novamente e lança o mundo na vida ordinária de sempre. E assim, Jade espera que sua vida se converta em uma nova vida a cada dia, e que os fenômenos de sua existência se tornem simples representações e não coisas em si.</p>
<p>Por um bom tempo é agradável para ela andar pelo parque e conversar, livrar-se do que deseja e apenas esperar “o que virá”, sem correr o risco do arrependimento, porque aceita as circunstâncias que a guiam, porque encontrara em Otto o que perdera em Jorge. Na ponta dos pés, ela apóia os braços em seus ombros e estica todo o corpo para alcançar seu rosto severo. Um sorriso discreto desenha-se no rosto do homem, ela o beija num gesto automático e espera que a troca seja justa. Não existe uma canção no ar, nem promessas de terceiros. Existe uma espécie de decepção, desagrado, não com o que virá, mas com o presente estático diante da realidade dos dois. É tudo tão normal, natural; e às vezes até obscena a face da rotina íntima dos desejos de ambos. Talvez seja esse o verdadeiro determinismo prático da vida. Jade se pergunta, eu me pergunto se vale a pena esperar por essa espera por uma novidade. Quem sabe um dia desses os dois se encaixam e entre um olhar e outro a química faça a sua parte, a espera se torne ato e o que era meio se torne fim?</p>
<p>Entre um dia e outro, entre intervalos ansiosos do seu coração, Jade vive a normalidade dos momentos vazios que preenchem sua rotina. Talvez não se tenha mais nada para dizer, talvez não se possa querer mais nada além do que já foi ganho, talvez dizer a verdade uma única vez na vida fosse a chave para sair do beco sem saída em que estava&#8230; Ela se acostumara a não evitar e a não escolher a si mesma. Jade podia ser o que há de melhor para se ser, e olhando para trás podia ver seu rastro – as pegadas –, o caminho que a trouxe até este momento.<br />
E porque houve um tempo em que tudo estava muito distante, não havia motivo. Mas a sucessão das coisas que nos dá a noção de tempo foi ficando para trás, transformando o presente em passado e criando dentro de Jade a sensação de um futuro incerto; e a impressão causada pelo desconhecido a fez recuar. Seu olhar era vago, mesmo quando segurava as mãos de Otto.<br />
E entre eles, muito mais que a falta de distância entre os lábios, era a falta do que esperar um do outro. Cada um a sua maneira desejava o que o outro “poderia ser”, e porque esse desejo é causa indeterminada há algo maior que ela deve considerar, por enquanto!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/drageasliterarias.wordpress.com/137/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/drageasliterarias.wordpress.com/137/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/drageasliterarias.wordpress.com/137/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/drageasliterarias.wordpress.com/137/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/drageasliterarias.wordpress.com/137/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/drageasliterarias.wordpress.com/137/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/drageasliterarias.wordpress.com/137/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/drageasliterarias.wordpress.com/137/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/drageasliterarias.wordpress.com/137/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/drageasliterarias.wordpress.com/137/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/drageasliterarias.wordpress.com/137/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/drageasliterarias.wordpress.com/137/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/drageasliterarias.wordpress.com/137/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/drageasliterarias.wordpress.com/137/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=drageasliterarias.wordpress.com&amp;blog=9184433&amp;post=137&amp;subd=drageasliterarias&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A VIRGEM VITORIANA &#124; Roberto Prado</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Jan 2010 10:50:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexandre costa</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://drageasliterarias.files.wordpress.com/2010/01/000_conto_virgem.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-132" title="000_conto_VIRGEM" src="http://drageasliterarias.files.wordpress.com/2010/01/000_conto_virgem.jpg?w=350&#038;h=500" alt="" width="350" height="500" /></a><br />
“O velho sátiro entrou no quarto da mocinha, ela estava estendida na cama, lânguida e ofegante. Na verdade a mocinha era uma fada, de asas tão diáfanas que pareciam com as de libélulas. Magra, fina, frágil e branca feito uma porcelana chinesa, ela tremeu ao ver a figura priápica, perdeu o fôlego e sorriu. Seu sorriso excitou ainda mais a monstruosa figura que avançou e baixou lentamente seus cascos eqüinos, evitando assim qualquer barulho que chamasse a atenção dos guardas que ficavam do outro lado da porta. Sua respiração fazia vibrar o ar à sua vota. A fada agitava suas frágeis asinhas e também arfava fazendo com que as chamas das velas tremeluzissem e produzissem sombras fantasmagóricas. A besta lentamente achegou-se aos pés do leito da donzela&#8230;” Abanando-se com as folhas manuscritas, a virgem vitoriana, afogada em uma desconhecida agonia, dirige-se à janela de sua casa de grossas paredes de pedras. Na velha lareira uma acha de lenha estala assustando-a.</p>
<p>Ela se vira para trás e pensa ver a sombra do velho sátiro, encosta-se na parte mais escura da sala, e entre amedrontada e ansiosa pede a Deus que sua criatura tenha conseguido fugir do reino da fantasia e venha resgatá-la dessa vida insossa e sem cor. Mas outro estalo da lenha levanta uma minúscula faísca, que mesmo assim produz uma luz fugaz o suficiente para iluminar a sala e fazê-la sentir-se uma idiota. Abana-se com mais força, fazendo com que as folhas se espalhem pelo chão, mas ela não pensa em recolhê-las de imediato. Antes de tudo o mais precisa respirar, precisa urgentemente respirar e chamar uma aia para libertá-la do espartilho, soltar-lhe os cabelos, trazer-lhe uma jarra de água – água, não – uma jarra de vinho tinto – vermelho cor de sangue – sente que precisa recuperar a cor. Da janela a virgem vitoriana olha para a vila lá embaixo no vale. Mas pouco poder ser visto a essa hora da noite, pois é noite de lua nova e uma névoa muito espessa cobre tudo.</p>
<p>Ela fecha a janela a tempo de evitar que um morcego entre em sua casa. &#8211; Um morcego! – ela murmura – um morcego iria muito bem à minha história. Volta à escrita, relê, toma da pena de ganso – que cria exclusivamente para isso – e volta escrever. “A criatura meio-homem, meio-bode estica sua gigantesca mão em direção à virgem. Ela sofre de angústia, desejo, escrava de um desejo até então desconhecido. Seria o forte odor caprino do mitológico ser que a enfeitiçava? Seriam seus olhos negros feito carvão?” Outro estalo da lenha a fez jogar a pena de ganso para o alto, e quase cair da cadeira, onde se sentava na beirada, vítima, ela também, do encanto de sua história. E com o susto, ela acaba por esquecer de introduzir o morcego na história. A virgem vitoriana resolve, enfim, chamar a sua empregada, e pedir uma jarra de água e outra de vinho tinto. Com uma mataria a sede e aproveitaria para limpar o suor que lhe brotava na testa, com a de vinho, recuperaria a cor e a coragem para seguir em frente com a história. Somente bebendo ela poderia imaginar a consumação do ato de amor entre a Besta e a Virgem. Enquanto esperava a velha serviçal chegar ela aproveitou para acender mais velas, a criada não deveria pegar jamais uma dama vitoriana como ela sozinha com uma história contendo sátiros príapicos, alcova e virgens prestes a deixar de sê-lo.</p>
<p>Ela era uma mulher vitoriana ciente de seus deveres sociais. Passados poucos minutos, ela torna à sua pena de ganso (outra, pois aquela outra só seria achada anos depois do&#8230;- bem isso é outra história e eu não vou contar nada aqui) e à escrita. Como que possuída por mil demônios, escreve e bebe, escreve e bebe e de quando em quando, sacudindo a cabeça, ri. Descreve com impressionante riqueza de detalhes as preliminares (que ela descrevia da lembrança de uma noite em que, procurando a chave das adegas, pegou sem querer sua serviçal namorando com o chacareiro, protegidos pelas sombras dos corredores da velha mansão), trinta e três páginas depois, ela finalmente chega ao momento da consumação, e&#8230; Para. Estaca. Petrifica-se, pois não sabe como continuar a partir daí, afinal, desgraçadamente, ela é uma virgem vitoriana, velha e feia. Por exaustivos minutos, ela escreve, rabisca, rasga as folhas e nada consegue produzir. Olha para o chão agora coberto de folhas amassadas e chora.<br />
Chora frustrada, pois:<br />
1. Desconhece as delícias do sexo, e;<br />
2. Precisa chamar a aia para, (que humilhação!) perguntar-lhe o que acontece depois das preliminares. Gemendo, amaldiçoa ser uma virgem vitoriana&#8230;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/drageasliterarias.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/drageasliterarias.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/drageasliterarias.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/drageasliterarias.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/drageasliterarias.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/drageasliterarias.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/drageasliterarias.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/drageasliterarias.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/drageasliterarias.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/drageasliterarias.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/drageasliterarias.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/drageasliterarias.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/drageasliterarias.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/drageasliterarias.wordpress.com/131/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=drageasliterarias.wordpress.com&amp;blog=9184433&amp;post=131&amp;subd=drageasliterarias&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Manual Avançado para a fabricação de nuvens &#124; ALEXANDRE COSTA</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Jan 2010 16:00:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexandre costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>

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		<description><![CDATA[Arthur C. Stendell em seu manual[1] sobre a fabricação de nuvens, especifica algumas medidas importantes a serem tomadas quando alguém estiver disposto à produção, tanto em massa, quanto em pequena escala – talvez visando apenas um comércio local – de tipos de nuvens para comércio. Entre elas podemos citar primeiramente a importância da observação meticulosa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=drageasliterarias.wordpress.com&amp;blog=9184433&amp;post=129&amp;subd=drageasliterarias&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://drageasliterarias.files.wordpress.com/2010/01/000_conto_manual1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-128" title="000_conto_MANUAL" src="http://drageasliterarias.files.wordpress.com/2010/01/000_conto_manual1.jpg?w=350&#038;h=500" alt="" width="350" height="500" /></a></p>
<p>Arthur C. Stendell em seu manual<a href="http://drageasliterarias.wordpress.com/wp-admin/post-new.php#_ftn1">[1]</a> sobre a fabricação de nuvens, especifica algumas medidas importantes a serem tomadas quando alguém estiver disposto à produção, tanto em massa, quanto em pequena escala – talvez visando apenas um comércio local – de tipos de nuvens para comércio. Entre elas podemos citar primeiramente a importância da observação meticulosa e paciente das condições atmosféricas do local onde se pretende abrir o negócio. Sim, porque a fabricação de nuvens é regida por um órgão que não admite a troca de local do estabelecimento – querendo com isso evitar o monopólio de um único fabricante, ou pior, a guerra entre eles. É o local que determina a quantidade, forma e estrutura da nuvem a ser fabricada.<br />
 Ainda em seu manual, na página sessenta e quatro ele explica:</p>
<p> &#8221;<em>Para que haja a formação de nuvens é necessário que parte do vapor d’água contido na atmosfera se condense, formando pequenas gotículas de água, ou solidifique, formando minúsculos cristais de gelo. A esta formação, ou aglomerado de cristais de gelo e gotículas damos o nome de nebulosidade.”<a href="http://drageasliterarias.wordpress.com/wp-admin/post-new.php#_ftn2"><strong>[2]</strong></a></em></p>
<p> Sabe-se ainda que, neste mesmo livro<a href="http://drageasliterarias.wordpress.com/wp-admin/post-new.php#_ftn3">[3]</a> ele expõe os pormenores de toda a parte burocrática com relação às especificações de “nuvens para chuva” e “nuvens para simples decoração do espaço aéreo”, incluindo as coordenadas estabelecidas de sua área de abrangência e a altura, esta determinada exclusivamente para cada tipo de nuvem. Saber exatamente onde e como fabricar sua própria nuvem é essencial para o bom andamento do negócio. As especificações técnicas que abrangem entre outras áreas a segurança, também podem ser encontradas no livro “Normas Técnicas para a Condensação da Água para a Fabricação de Cristais de Gelo.” Mas não vou falar aqui da parte burocrática nem técnica, que certamente não é a que mais interessa o leitor neste momento, falarei do processo de fabricação e dos modos – particulares – do exercício da preparação.<br />
Se o leitor quiser se aprofundar ainda mais no tema, sugiro que leiam W.C. Scotty<a href="http://drageasliterarias.wordpress.com/wp-admin/post-new.php#_ftn4">[4]</a>, que narra sua aventura particular com uma de suas nuvens mais famosas.<br />
Particularmente acho que algumas pesquisas na internet também irão ajudar no momento da escolha do tipo certo de nuvem que se quer fabricar. Alguns designs são simplesmente incríveis.</p>
<p>E vejam só, pode-se inclusive, comprar um kit com cristais de gelo e canhão de 12 polegadas, ou uma incrível máquina que prepara sozinha a nebulosidade. No caso do kit, você vai precisar contratar os serviços de uma empresa que prepare a nebulosidade e a carregue até a altura ideal para seu tipo de nuvem, e claro uma licença municipal, estadual ou federal para usar o espaço aéreo no local determinado, dependendo do tipo de empresa que você tem. Empresas locais necessitam apenas de uma licença da prefeitura. Já a máquina que prepara a nebulosidade, esta sim já vem com todas as licenças para uso geral-padrão, é bem mais caro, mas dependendo do tamanho do seu negócio, vale o investimento.<br />
Em 1860, a fabricação de nuvens, de chuva<a href="http://drageasliterarias.wordpress.com/wp-admin/post-new.php#_ftn5">[5]</a> ou decorativas era um negócio pouco explorado, mas como sabemos a necessidade é a mãe das invenções, e Juan Estorero inventou e patenteou uma máquina que fabricava os cristais em 1861<a href="http://drageasliterarias.wordpress.com/wp-admin/post-new.php#_ftn6">[6]</a>.<br />
Em sua casa na cidade de Charaña na divisa com o Chile, Estorero observava um céu claro – completamente azul -  e sem uma única nuvem para lhe aguçar a imaginação – como na brincadeira de criar coisas ou animais com as formas das nuvens.<br />
E pensou que num dia tão belo quanto aquele, as pessoas não deveriam passar seus momentos sem um ofício para a mente, e inclusive, pensou também no fato de que, sem as nuvens, o dia ficava muito mais quente que de costume, e assim, de uma necessidade e um capricho, inventou a primeira máquina de fabricar cristais de gelo condensando-os para criar nuvens. Ainda nesta época não existiam os canhões que arremessavam os cristais na atmosfera criando a nebulosidade.<br />
De qualquer maneira começa nesta época a fabricação de nuvens decorativas, que hoje se constitui numa arte para poucos gênios do design.</p>
<p>Quanto ao aspecto: a aparência geral de uma pessoa pode indicar aos nossos olhos e sentidos se ela é agradável ou não a nós, isto também acontece com as nuvens. Quando olhamos para as cinzas sabemos que há probabilidade de chover, enquanto que se ela é totalmente branca nos traz um sensação de beleza e frescor. Então imagine que uma pessoa cinza é uma nuvem de chuva e outra bonita é uma nuvem branca. Não, não pense nada disso, isto é preconceito, nem pessoas nem nuvens merecem isso.</p>
<p>Quanto à constituição: imagine um aglomerado de pessoas de mesma condição sócio-econômica ou credo por exemplo, isto se denomina uma constituição. Entre elas existem as otimistas, as pessimistas e as realistas, criando assim uma espécie de divisão de grupos. Com as nuvens acontece a mesma coisa. Existem as sólidas, as líquidas e as mistas, que embora sejam uma constituição de nuvens também estão dividas em classes. E pensando bem não é bom para as pessoas serem divididas em classes, pois isso geraria uma luta entre elas, criando uma divisão nada agradável de castas que lutariam pelo poder, constituindo assim uma dominação desigual, pois os mais equipados teriam mais vantagens que desvantagem nessa luta. Com as nuvens também não seria legal, principalmente porque um profissional do ramo não pode escolher qual tipo de nuvem é mais bonita ou agradável que outra, pois isso geraria um caos orçamentário, sem contar que órgãos federais exigem e fiscalizam a isonomia dos tipos de nuvens em todo o território nacional.</p>
<p>Quanto ao estágio: a produção industrial advinda da revolução acontecida no fim do século dezenove, produziu uma espécie de explosão tecnológica e financeira no mundo, dividindo as pessoas em classe sociais cada vez mais diferenciadas, ou seja, os ricos enriqueceram muito mais, os pobres continuaram pobres e, ao invés de plantar sua própria comida, viraram empregados dela, pois o emprego em fábricas e indústrias mudou essa relação do homem com a terra e seus produtos. Evidenciou-se muito mais as diferenças das classes sociais. Com as nuvens podemos dizer – numa metáfora tardia – que essa relação é muito parecida: existem as baixas, as médias e as altas.</p>
<p>Por ser tratar de uma condição de nossa mente, subjetivar as coisas é normal, e não poderíamos deixar de fazê-la com as nuvens. Assim, as baixas são as menos importantes, as médias são simpáticas e as altas são as mais belas e melhores. Mas deixando de lado toda essa idiossincrasia com relação à fabricação de nuvens, é pertinente dizer que vale mesmo o feeling nessas horas.<br />
Faço aqui um breve relato particular de como consegui produzir a minha primeira nuvem, e é claro, não posso esquecer de dizer que: se você não tem uma mente criativa que fixe a priori a idéia da nuvem dentro de sua cabeça antes mesmo de sua confecção, não há porque nem sentido em começar a fabricá-la fisicamente.<br />
Um estado de bom humor e aceitação já é um bom começo, os estágios mais avançados requerem um nível de concentração que você só encontrará na meditação, na yoga etc&#8230;</p>
<p>Faça, logo que acordar e ainda em sua cama, uma prece dirigida a qualquer coisa que você creia, não importa se é física ou não, isto serve para liberar a endorfina<a href="http://drageasliterarias.wordpress.com/wp-admin/post-new.php#_ftn7">[7]</a> acumulada durante o sono. Isto serve para ligar o motor da mente criativa. Em seguida, com os pés descalços pressione os dedos contra o chão, um de cada vez, apoiando a mão na cama para ter uma pressão mais uniforme. Esse exercício serve para endurecer as pontas dos dedos – vai que hoje seu carro quebrou e terá de ir trabalhar de ônibus.<br />
Veja bem, não há motivo para estresse. Lembre-se de que estás prestes a criar sua primeira nuvem e o equilíbrio emocional é muito importante.<br />
Arranje um horário em que não será incomodado por ninguém e deite com as costas contra o chão, fixe seu olhar no céu num ponto em que não haja uma nuvem já pronta, pense em como a sua relação com o mundo à sua volta determina suas atitudes, pense na relação de perda e ganho com você mesmo, sinta-se parte da paisagem.<br />
Viu? Não é tão difícil assim. Seguindo estes passos, uma imagem será criada em sua mente, então transfira essa imagem para o papel em palavras, diga como está se sentindo. Então espere o dia seguinte e, novamente quando acordar, pegue este papel e crie a imagem de uma nuvem baseado no texto. Pronto, você acaba de criar sua primeira nuvem.<br />
Para saber como criar tempestades, leia meu mais novo livro “Criando tempestades em onze passos”, da editora costa-prado.</p>
<hr size="1" /><a href="http://drageasliterarias.wordpress.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref1">[1]</a> Stendell, A.C. &#8211; How Do I Make My First Cloud. São Paulo, 1989. ECP/BR<br />
<a href="http://drageasliterarias.wordpress.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref2">[2]</a> Stendell, A.C. &#8211; How Do I Make My First Cloud. São Paulo, 1989. ECP/BR, p. 64<br />
<a href="http://drageasliterarias.wordpress.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref3">[3]</a> idem, p.98<br />
<a href="http://drageasliterarias.wordpress.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref4">[4]</a> Scotty, W.C. – My favorite Cloud. NY, 1994 – Sem tradução para o português.<br />
<a href="http://drageasliterarias.wordpress.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref5">[5]</a> É necessário explicar que, para a fabricação de nuvens de chuva, o processo é bem mais complicado que apenas nuvens para decoração. Existe todo um aparato químico que não entrarei em detalhes nesta obra, fixando-me apenas na arte de fabricar nuvens decorativas.<br />
<a href="http://drageasliterarias.wordpress.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref6">[6]</a> “Rain Machine”. Para encontrar mais sobre o inventor acesse <a href="http://www.rainmachineestorero.com.bo">HTTP://www.rainmachineestorero.com.bo</a><br />
<a href="http://drageasliterarias.wordpress.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref7">[7]</a> Qualquer de certos peptídeos que ocorrem no cérebro, na hipófise e outros tecidos de vertebrados, capazes de produzir ação antálgica prolongada, e cujos efeitos se assemelham aos da morfina.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/drageasliterarias.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/drageasliterarias.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/drageasliterarias.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/drageasliterarias.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/drageasliterarias.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/drageasliterarias.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/drageasliterarias.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/drageasliterarias.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/drageasliterarias.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/drageasliterarias.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/drageasliterarias.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/drageasliterarias.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/drageasliterarias.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/drageasliterarias.wordpress.com/129/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=drageasliterarias.wordpress.com&amp;blog=9184433&amp;post=129&amp;subd=drageasliterarias&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A Vaca e meu charuto &#124; ROBERTO PRADO</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Dec 2009 15:57:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexandre costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>

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		<description><![CDATA[Estava andando pelo centro, fumando um charutinho, fazendo hora para voltar para essa filial do inferno, onde cumpro pena, em troca de um abatimento de meus pecados, quando vi numa dessas praças, que não sei o nome, uma multidão reunida. Fui lá para ver o que era. Era um bando, essa é a palavra redonda [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=drageasliterarias.wordpress.com&amp;blog=9184433&amp;post=125&amp;subd=drageasliterarias&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://drageasliterarias.files.wordpress.com/2009/12/000_conto_vaca.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-124" title="000_conto_VACA" src="http://drageasliterarias.files.wordpress.com/2009/12/000_conto_vaca.jpg?w=350&#038;h=500" alt="" width="350" height="500" /></a></p>
<p>Estava andando pelo centro, fumando um charutinho, fazendo hora para voltar para essa filial do inferno, onde cumpro pena, em troca de um abatimento de meus pecados, quando vi numa dessas praças, que não sei o nome, uma multidão reunida. Fui lá para ver o que era. Era um bando, essa é a palavra redonda para essa turba de desocupados, agitando bandeiras vermelhas com o símbolo do PCB, ou PC do B, e outra destas utopias anacrônicas. Fecharam a rua, e creio eu, deveria ter um boçal qualquer, ou um candidato a algum cargo público (ai do nosso dinheirinho) prometendo rios de leite &amp; mel, o fim da fome, e a revogação da Lei da Gravidade&#8230;<br />
Não deixo de ficar besta com isso! Via-se nas faces daqueles que balançavam as bandeiras, uma apatia, uma fome, (já tatuada, de tantas outras fomes) que não convenciam ninguém que passasse por lá. A agitação era fraca, falsa, não convencia. O descrédito estava palpável na atmosfera. Foi-se o tempo (percebi tarde?) em que as pessoas mais humildes entravam nessas manifestações, pelos menos para conseguir uma camiseta, um santinho para remendar a sola dos sapatos. Nem isso. Os nossos salvadores da Pátria ( cheguei a pensar em escrever com “p” minúsculo) agitavam-se, gritavam, badernavam em frente a restaurantes de luxo, pensando (?) assim que junto com os filés-mignons e chopes entrasse alguma consciência social nos comensais&#8230;<br />
Para quê? Pode alguém dar-se ao trabalho de responder-me?<br />
Quem ainda acredita nas utopias socialistas? Ninguém com um pingo de massa cinzenta.</p>
<p>Agora a pergunta capital:<br />
- O que ganham os que ainda “vendem” essa utopia?<br />
Meu Deus, meu Deus! Onde está o direito dos consumidores dessas quimeras?<br />
Segui fumando o meu charutinho (tem coisa mais burguesa?), olhei com meu habitual olhar de desprezo para aqueles ( preencham com o predicado que acharem melhor), recusei os santinhos, dizendo:</p>
<p>- Sou 100% ateu e descrente em Deus e nos homens, principalmente nesses aí.</p>
<p>Não percebi se o faminto distribuidor de panfletos me xingou ou não, não me importa. Preocupadamente tomo consciência que cada dia me importo menos com qualquer coisa. Segui em frente, deixei-os para trás e me comprometo a não falar mais desses estelionatários de sonhos.</p>
<p>- Conformem-se, a vaca foi para o brejo!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/drageasliterarias.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/drageasliterarias.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/drageasliterarias.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/drageasliterarias.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/drageasliterarias.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/drageasliterarias.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/drageasliterarias.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/drageasliterarias.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/drageasliterarias.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/drageasliterarias.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/drageasliterarias.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/drageasliterarias.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/drageasliterarias.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/drageasliterarias.wordpress.com/125/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=drageasliterarias.wordpress.com&amp;blog=9184433&amp;post=125&amp;subd=drageasliterarias&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Alexandre Costa</media:title>
		</media:content>

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			<media:title type="html">000_conto_VACA</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>EMBRIAGUEZ &#124; Alexandre Costa</title>
		<link>http://drageasliterarias.wordpress.com/2009/12/17/121/</link>
		<comments>http://drageasliterarias.wordpress.com/2009/12/17/121/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 17 Dec 2009 12:27:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexandre costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Drágea]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao longe, e ainda que um tanto abafado pelo som do vento que beijava-lhe a face, podia ouvir Alicia cantando. Cantava a mesma canção de quando se conheceram há uma semana, exatamente naquele mesmo lugar porque passava agora, exatamente naquela mesma hora, exatamente com o mesmo sol a brilhar com a mesma intensidade e cor; [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=drageasliterarias.wordpress.com&amp;blog=9184433&amp;post=121&amp;subd=drageasliterarias&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://drageasliterarias.files.wordpress.com/2009/12/000_conto_embriaguez.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-120" title="000_conto_EMBRIAGUEZ" src="http://drageasliterarias.files.wordpress.com/2009/12/000_conto_embriaguez.jpg?w=350&#038;h=500" alt="" width="350" height="500" /></a></p>
<p>Ao longe, e ainda que um tanto abafado pelo som do vento que beijava-lhe a face, podia ouvir Alicia cantando. Cantava a mesma canção de quando se conheceram há uma semana, exatamente naquele mesmo lugar porque passava agora, exatamente naquela mesma hora, exatamente com o mesmo sol a brilhar com a mesma intensidade e cor; parecia-lhe que era vítima de um dejavú.<br />
A silhueta da menina que se aproximava ao longe tomava contornos de mulher. Ele apressou o passo, queria estar à sombra da mangueira assim que ela o percebesse.  E assim aconteceu, e porque não poderia ser diferente, não foi!<br />
Seus olhos não se despregavam da imagem de Alicia, e como havia acontecido antes arrepiaram-se os dois no despreparo de seus corações. A brisa abrandou-se definitivamente à espera do próximo passo que ambos dariam.</p>
<p>Ai, ai, suspirou a menina de pele branca e sardas no rosto. Era ainda nova como um bezerro, mas disfarçava a idade com um batom vermelho nos lábios e uma sombra carregada nos olhos. Só não disfarçava mesmo era a ousadia com que se assanhava quando via Jordão. E sorriu para ele, porque tinha que sorrir, e deitou-se impaciente ao seu redor tirando de dentro do decote do vestido de chita um lenço de renda. E pondo-se de novo a abanar-se, sorriu enxugando o colo dos seios e o rosto.<br />
“Bom dia!”, disse ele puxando a voz do fundo de suas entranhas, e disfarçando o que não tinha disfarce. “Tem sombra pra dois?”, perguntou ela e deitou-se de bruços embaixo da árvore a balançar os pés descalços, a causar-lhe um tremor quase constrangedor, a umedecer-lhe os lábios. Ai, ai, suspirou novamente olhando-o de soslaio, sabia o que queria. Ele?, ele também sabia sem saber. E a brisa pôs-se a assoviar uma canção do vento, fugindo sorrateiramente e abandonando os dois a si mesmos. “Tem sim!”<br />
Ela então sentou-se encostando-se no tronco da árvore espreguiçando-se e esticando os braços e as pernas, mexendo os pequeninos dedos dos pés como que a tocar piano com eles. Ele impacientou-se de tal maneira que não pode evitar comentar sua beleza, ela surpreendida(?) e lisonjeada aceitou o galanteio, ele aguardava o próximo movimento de Alicia de olhos bem abertos, ela disse-lhe ao pé do ouvido com os olhos bem fechados: “Quem encontrou quem?” Ele não respondeu de imediato, ficara pasmo, de boca aberta a dar motivo para engolir moscas. Seus olhos fitaram o decote do vestido de Alicia, que tornou a guardar o lenço entre os seios. “Quem encontrou quem?”, tornou a perguntar. Mas Jordão se perdera em algum momento entre o som de sua voz e a visão daquele corpo quase imaculado. Ela, se quisesse, podia permitir-lhe tudo, ele embriagado num primeiro instante pedia-lhe sem precisar dizer nos lábios, pois seus olhos a devoravam sem culpa. “Larga-te aí e te darei toda a sombra que quiseres, toda sombra que mereceres.”</p>
<p>Naturalmente que ela desejasse o que já sabia poder ter, porque não lhe faltavam atributos para consegui-lo, não lhe faltava palavras na boca e quase sempre um pouco de insensatez nos modos.<br />
Jordão em hora perigosa não criara precaução, nem modos para essas coisas, embora para os dois tudo fosse uma estranha e incontrolável novidade. Como conjugar o verbo amar sem perceber a diferença do jogo do amor? O amor é essa embriaguez que lhe toma a direção sorrateiramente, que está onde pode muito bem fazer falta, que tira o sono e engana a fé. Ali à sombra da mangueira os dois se mantinham acordados e tesos, preguiçosos e vastos ao mesmo tempo. Ela lhe prometera meditação, devaneio, equívoco; prometia-lhe apenas perder-se &#8211; o que lhe agradava -, porque era homem, porque era um menino.<br />
Ela deixou-se deitar em seu peito morno, e quando respirou profundamente ele soube a resposta: “Deus nos encontrou!” A própria vida os havia encontrado, mais de uma vez. Ela sorriu e desmanchou a ansiosa expectativa criada atirando-se em seus braços, ele com os lábios secos procurou sua boca, deixando sua respiração suspensa: entregaram-se. E foi desse modo, de um momento para o outro, de uma rima entre dois corpos, de um encontro marcado pelo destino, que Alicia e Jordão amaram-se de embriagarem-se um do outro, até que aquele dia descansasse dos dois. Ao longe, como se se ouvisse um murmúrio, a brisa assoviava uma canção balançando as folhas da mangueira e avisando que a hora do jantar se aproximava.<br />
“É quase noite.”, disse Jordão, e levantaram-se apressadamente. Alicia pôs-se a rir e a abanar-se, teve que apoiar-se no tronco da árvore para não cair, ajeitou o vestido de chita, tirou mais uma vez o lenço de dentro do decote. “Toma, que tu mereces.”, e entregou-o a Jordão. Ele pareceu se perder no movimento e declarou: “Te vejo semana que vem!”</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/drageasliterarias.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/drageasliterarias.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/drageasliterarias.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/drageasliterarias.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/drageasliterarias.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/drageasliterarias.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/drageasliterarias.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/drageasliterarias.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/drageasliterarias.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/drageasliterarias.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/drageasliterarias.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/drageasliterarias.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/drageasliterarias.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/drageasliterarias.wordpress.com/121/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=drageasliterarias.wordpress.com&amp;blog=9184433&amp;post=121&amp;subd=drageasliterarias&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Alexandre Costa</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>A Vaidade e a Sorte de se ter uma Leitora &#124; ROBERTO PRADO</title>
		<link>http://drageasliterarias.wordpress.com/2009/12/14/117/</link>
		<comments>http://drageasliterarias.wordpress.com/2009/12/14/117/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Dec 2009 13:25:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexandre costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Drágea]]></category>

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		<description><![CDATA[Sejamos honestos. Somos todos vaidosos, em maior ou menor grau, mas somos. Principalmente nós, que temos, na cabeça, umas fumaças artísticas&#8230; Ora, se escrevemos é para sermos lidos. Lidos e comentados. Comentados e elogiados. Comparados, no mínimo a Camões, Drummond, ao velho Braga. Escrevemos por não podermos mais guardar para nós mesmo tudo o trazemos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=drageasliterarias.wordpress.com&amp;blog=9184433&amp;post=117&amp;subd=drageasliterarias&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
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<p>Sejamos honestos. Somos todos vaidosos, em maior ou menor grau, mas somos.<br />
Principalmente nós, que temos, na cabeça, umas fumaças artísticas&#8230;<br />
Ora, se escrevemos é para sermos lidos. Lidos e comentados. Comentados e elogiados. Comparados, no mínimo a Camões, Drummond, ao velho Braga. Escrevemos por não podermos mais guardar para nós mesmo tudo o trazemos no peito e no coração.Catso!Escrevemos para vocês!<br />
Não pedimos muito&#8230;Leiam-nos, só isso, leiam-nos!<br />
Escrevo em três blogs (está certo é problema meu, faço por que quero e gosto), e a primeira coisa que faço, ao chegar aqui no serviço de manhã, é abrir os comentários&#8230;Nem a aridez do Saara, das Caatingas, do meu saldo bancário, é mais triste que ver aquela mensagem que diz: “0 Comments.”<br />
É uma pontada no coração, é um filho abortado, uma merda, vem a vontade de nunca mais escrever, nem bilhete dizendo: </p>
<p>- Fui à padaria e já volto! </p>
<p>Mas não é que após jogar tantos textos fora, (atentem ao detalhe que não disse “tantos textos bons”, tenho autocrítica, contra a vontade, é verdade, mas penso que vou estirpa-lo junto com o meu apêndice, duas coisas que não servem para nada) vejo um comentário num texto que me é caro? Justo numa história do Doidinho. Sofregamente (que coisa de viciado, não é?) clico no ícone e espero a janela abrir. Emocionei-me com o comentário da leitora que se assina como Leninha do Canal 6. E aqui tomo a liberdade de publicar o nosso “diálogo”. </p>
<p>- Leninha, espero que você me perdoe pela ousadia, mas você merece ser conhecida.</p>
<p>Segue abaixo nossa “conversa:”</p>
<p><strong><em>Leninha do Canal 6 disse&#8230; </em></strong></p>
<p><em>Que desperdício de cultura! Citando Dante de graça, a pobre Beatriz deve estar roendo as suas unhas por tamanho horror!<br />
</em><em>Vc não foi lido, ou não foi compreendido?<br />
</em><em>Das duas opções, não sei qual a pior.<br />
</em><em>No seu lugar não sei se desistiria de escrever, ou o faria nas areias das praias, como o velho Anchieta.<br />
</em><em>Isso é a prova cabal de que não devemos dar &#8220;Pérolas aos porcos&#8221;.<br />
</em><em>Sigo te lendo onde estiver.<br />
</em><em>Sempre sua leitora, Leninha </em></p>
<p><em>4:08 PM </em></p>
<p><strong><em>Roberto Prado disse&#8230; </em></strong><em></em></p>
<p><em>Obrigado Leninha, pela leitura, pelo entendimento, pelo conselho, que declinarei, nessa época do ano a água do mar é muito gelada para minha pernas (coisas da idade, espero que vc esteja longe de entender isso também).<br />
</em><em>Quanto à pobre Beatriz&#8230;, que mais poderemos fazer agora?<br />
</em><em>Quanto a cultura, pela idade,(não tão avançada assim) tenho-as para distribuir de mãos cheias. Será como espalhar sementes por aí, uma há de germinar,e quando eu estiver lá no paraíso (me desculpem a arrogância, coisa da idade, </em><em>nem perdoem)me explicarei com a Doce Beatriz, e ela entenderá o declínio da cultura e dos bons costumes (não pensem que sou um velho chato e conservador, bons costumes para mim, é pegar um livro e lê-lo, e de preferência, entendê-lo)sei que peço muito.<br />
</em><em>Mas, se vida outra houver, após essa, espero que seja repleta de Leninhas, qqr que seja o seu &#8220;Canal).<br />
</em><em>Obrigado doce leitora! </em></p>
<p><em>11:45 AM </em></p>
<p><strong><em>Leninha do Canal 6 disse&#8230; </em></strong></p>
<p><em>Doce Roberto, que segue do Céu para as profundezas dos sete círculos do inferno.<br />
</em><em>Sei o que sofres, e não é pouco, sei.<br />
</em><em>Leitora que sou, adoro, me perder nos labirintos de Borges, e seguir, mesmo na mais negra escuridão, cada vez mais profundamente para dentro dele, sem que nem por um segundo eu procure a saída.<br />
</em><em>Roberto, Doce Roberto, teus leitores não te merecem.<br />
</em><em>Mas não deixe que isso te limite, te desanime, procure uma Beatriz que te guie nessas trevas que vivemos, deixe-se guiar pelos cegos olhos de Borges, que nada via, e via mais que todos.<br />
</em><em>Te leio, espero que isso te baste.<br />
</em><em>Tua leitora eterna:</em></p>
<p><em>Leninha</em>Depois dessa, sinto-me com a “pilha” recarregada, pronto para continuar escrevendo, escrevendo, escrevendo&#8230;<br />
- Que Deus providencie, a cada escritor nesse mundo, uma Leninha.</p>
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			<media:title type="html">Alexandre Costa</media:title>
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			<media:title type="html">000_conto_LEITORA</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>DIÁLOGO &#124; Alexandre Costa</title>
		<link>http://drageasliterarias.wordpress.com/2009/12/09/dialogo-alexandre-costa/</link>
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		<pubDate>Wed, 09 Dec 2009 09:58:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexandre costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>

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		<description><![CDATA[Posso chamar você de “Minha” autora?          Mas, por quê?          Porque preciso – acho que preciso – dessa intimidade. Preciso que você de alguma forma seja minha, preciso me sentir mais próximo de você e de sua escrita, porque a sensação é agradável.          Então você quer me possuir?          De certa forma sim. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=drageasliterarias.wordpress.com&amp;blog=9184433&amp;post=115&amp;subd=drageasliterarias&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://drageasliterarias.files.wordpress.com/2009/12/000_conto_dialogo.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-114" title="000_conto_DIALOGO" src="http://drageasliterarias.files.wordpress.com/2009/12/000_conto_dialogo.jpg?w=350&#038;h=500" alt="" width="350" height="500" /></a></p>
<p>Posso chamar você de “Minha” autora?</p>
<p><em>         Mas, por quê?</em></p>
<p>         Porque preciso – acho que preciso – dessa intimidade. Preciso que você de alguma forma seja minha, preciso me sentir mais próximo de você e de sua escrita, porque a sensação é agradável.</p>
<p><em>         Então você quer me possuir?</em></p>
<p>         De certa forma sim. Como se eu fosse um proprietário, mas não exatamente como um proprietário, se parece pelo menos para mim como algo mais forte que isso – essa propriedade.</p>
<p><em>         Forte?</em></p>
<p>         Não estou conseguindo me explicar direito, eu sei, mas para um leitor tem de haver esse sentimento de posse com o seu ídolo.</p>
<p><em>         Então eu sou seu ídolo?</em></p>
<p>         Sim.</p>
<p><em>         Por quê?</em></p>
<p>         Porque você escreve como eu gostaria de escrever, porque você escreve de uma maneira que ninguém jamais escreverá. Porque quando você escreve, parece um deus escrevendo, e ao mesmo tempo é como se nem mesmo um deus pudesse escrever como você escreve.</p>
<p><em>         Deuses morrem, mas os ídolos não. Não é isso que você está querendo me dizer?</em></p>
<p>         Talvez, acho que sim, mas eu mesmo não sei responder a esta pergunta. Sei que já mataram Deus uma vez. Acho que agora entendi o que você disse. Viu?, é por isso que você é meu ídolo.</p>
<p><em>         Puxa vida, isto é tão socrático. Você não acha?, essa conversa toda?</em></p>
<p>         Sim.</p>
<p><em>         Agora me parece que as maiores frases são minhas.</em></p>
<p>         É!</p>
<p><em>         Isto é bom?</em></p>
<p>         Com certeza. Mas você ainda não respondeu minha pergunta.</p>
<p><em>         Qual?</em></p>
<p>         Se posso te chamar de “minha”.</p>
<p><em>         Eu sei, apenas queria ouvir novamente. Mas você já me tem!</em></p>
<p>         Não.</p>
<p><em>         Não?</em></p>
<p>         Não. Tenho apenas seus livros, sua escrita, e esse desejo.</p>
<p><em>         E não é o suficiente? Pelo menos para mim parece bem razoável.</em></p>
<p>         Não. Eu preciso de algo mais. Mesmo com a sensação de posse que me toma quando te leio, preciso da sua aprovação, preciso ouvir de você, porque se não for assim sinto que me aposso de algo – alguém – que não é meu.</p>
<p><em>         Mas ninguém é de ninguém. Eu até acho que não me pertenço.</em></p>
<p>         É eu sei.</p>
<p><em>         Mas também não acho que você deva permanecer órfão de seus ídolos. Você também não acha?</em></p>
<p>         Tenho certeza disso.</p>
<p><em>         Então está bem.</em></p>
<p>         Bem?</p>
<p><em>Sim! Você pode me chamar de “sua”.</em></p>
<p>Puxa!</p>
<p><em>         E então, como você se sente?</em></p>
<p>         Sinto-me muito bem. Sinto-me íntimo de você, como se fôssemos irmãos.</p>
<p><em>         Mas não é só isso – esse sentimento familiar -, há outros sentimentos que se confundem dentro de você.</em></p>
<p>Outros?</p>
<p><em>         Sim. Quantas vezes você estranhou minhas frases, desconfiou que não fosse eu. Quantas vezes experimentou-me em textos onde pode ver claramente minha raiva, angústia, repulsa pelas coisas estranhas a mim? E tenho certeza de que você não me reconheceu em alguns contos. Os sentimentos variam muito e se confundem tanto, que às vezes não sabemos se o que sentimos por alguém é na verdade puro ou não.</em></p>
<p>         Mas como você sabe tudo isso sobre mim?</p>
<p><em>         Ora meu caro, a intimidade não é mão de uma única via. A partir do momento em que você me lia e me desvelava, era desvelado por mim também. O autor e o leitor quando se encontram e sentem essa intimidade, é como mágica.</em></p>
<p>         Quer dizer que você sempre foi minha?</p>
<p><em>         Não.</em></p>
<p>Não?</p>
<p><em>Não. Quer dizer que sempre fui de todos.</em></p>
<p>Todos?</p>
<p><em>Todos.</em></p>
<p>Todos quem?</p>
<p><em>Todos aqueles que sentem como você essa intimidade. Ah, se você soubesse o que eu sei.</em></p>
<p>Isso não é justo.</p>
<p><em>Por que não?</em></p>
<p>O autor é único, mas o leitor – esse – existe milhares, talvez milhões.</p>
<p><em>Não!</em></p>
<p>Não?</p>
<p><em>Não. Não é bem assim. Tá certo o autor é um, mas ao mesmo tempo não é.</em></p>
<p>Não?</p>
<p><em>Não. Para cada leitor que encontra esse autor, o multiplica&#8230;</em></p>
<p>E você&#8230;</p>
<p><em>Muitos já me encontraram.</em></p>
<p>Então a intimidade não existe. Nunca existirá?</p>
<p><em>Sim e não.</em></p>
<p>Como você explica isso?</p>
<p><em>Se me pego íntimo de alguém, como poderei ser livre para escrever? Mas ao mesmo tempo preciso da intimidade do leitor comigo e com o texto, porque é ele quem se identifica e não eu. O autor precisa ser “querido” para conquistar essa intimidade, ao mesmo tempo em que não pode ser íntimo de ninguém, porque corre o risco de perder a liberdade de criatividade.</em></p>
<p>Por que você escreve? Por que qualquer autor escreve?</p>
<p><em>Você sabe por que escrevo, mas cada um tem um motivo particular para fazê-lo.</em></p>
<p>         Como ser íntimo de um autor que nunca será íntimo seu?</p>
<p><em>         Isto é uma coisa muito sua. O que quero dizer é que a intimidade não pode ser padronizada.</em></p>
<p>         Mas pode ser avaliada.</p>
<p><em>         Por que você se preocupa tanto com isso?</em></p>
<p>         Porque não quero ser apenas mais um leitor, quero ser “o” leitor.</p>
<p><em>         Ele não existe: “o” leitor. Porque existirão aqueles que se sentirão “o” leitor.</em></p>
<p>         Mas esta é uma opinião sua.</p>
<p><em>         Que não é compartilhada por você, é claro.</em></p>
<p>         Não.</p>
<p><em>         Estou decepcionando você?</em></p>
<p>         Não. Você nunca me decepcionaria.</p>
<p><em>Não diga isso.</em></p>
<p>Por que não?</p>
<p><em>Você se decepcionaria a si próprio.</em></p>
<p>Isto nunca acontecerá.</p>
<p><em>Você é quem sabe.</em></p>
<p>Você não percebe que eu preciso desse sentimento de proximidade?</p>
<p><em>Percebo sim, apenas te digo que você não é o único.</em></p>
<p>Eu não me importo.</p>
<p><em>Agora você não se importa mais?</em></p>
<p>Não.</p>
<p><em>Isso é bom.</em></p>
<p>Quantos fãs seus conversam dessa maneira com você?</p>
<p><em>(&#8230;)</em></p>
<p>O que você quis dizer com esse olhar?</p>
<p><em>(&#8230;)</em></p>
<p>Droga!</p>
<p><em>Entende agora o que eu quero dizer?</em></p>
<p>Mas você não poderia escolher um? Eu por exemplo?</p>
<p>Já falamos sobre liberdade, não foi?</p>
<p>Tudo bem, mas mesmo assim – e isso é unicamente exclusividade minha – você me pertence e eu a você.</p>
<p><em>Isto basta para você?</em></p>
<p>Sim.</p>
<p><em>Então você não é diferente de nenhum deles todos.</em></p>
<p>Deles todos! Sou um leitor igual a qualquer outro leitor que você já conheceu. Acho que você está se contradizendo.</p>
<p><em>Como?</em></p>
<p>Cada leitor é único, assim sendo, não existe a igualdade, mas você disse que eles são todos iguais a mim.</p>
<p><em>Não. Eu não disse isso. Disse que você é igual a eles.</em></p>
<p>E qual é a diferença?</p>
<p><em>Você disse: “Sou um leitor igual a qualquer outro leitor que você já conheceu.” Então não fui eu, mas você quem se igualou a eles. Eu disse: você não é diferente de nenhum deles.</em></p>
<p><em>Eu quis dizer que ser exclusivo não é um fator de seleção para uma classificação baseada em sentimentos, porque eles são subjetivos demais. Mas você é único sim, porque sente meus escritos de uma maneira só sua. Por isso, sim e não, a intimidade não pode ser quantificada nesse sentido: do autor e do leitor. Mas por outro lado, se fossemos os dois de carne e osso talvez fosse possível isso.</em></p>
<p>Uma conversa baseada em fatos. É isto o que está acontecendo aqui?</p>
<p><em>De certa forma sim, mesmo que não pertençamos ao mesmo mundo.</em></p>
<p>Quando te fiz a primeira pergunta, nunca imaginei chegar a este ponto.</p>
<p><em>Nem eu meu caro. Isto me dá um novo sopro de vida.</em></p>
<p>(&#8230;) Agora você fez uma citação.</p>
<p><em>E você sorriu.</em></p>
<p>Tudo bem. Essa conversa toda me deixa extremamente feliz. Sinto-me calmo como se flutuasse. Não sinto o peso de meu corpo, não sinto cansaço.</p>
<p><em>Você está igual a mim neste momento.</em></p>
<p>(&#8230;?)</p>
<p><em>Não. Não foi isso que eu quis dizer, estou falando sobre paz de espírito.</em></p>
<p>Ah. Então vamos retomar algumas coisas que não ficaram claras.</p>
<p><em>Quais, por exemplo?</em></p>
<p>Você disse que meu sentimento de posse se confundia com outros. Que outros são esses?</p>
<p><em>Bem. Por diversas vezes você teve dúvidas. Quem é essa autora tão dura e severa?, onde está a minha “doce autora”? Mas eu já havia lhe explicado isso.</em></p>
<p>Tem razão. Tive minhas dúvidas sim, algumas surpresas também. Mas isto nunca foi motivo para abalar a nossa relação.</p>
<p><em>Que palavra estranha para nós – soa estranha: relação. Apesar de eu aceitar e entender, mesmo assim é uma palavra estranha para definir essa ligação entre um autor e seu leitor. Tudo isso é pura percepção que envolve os dois lados. Pode haver uma relação entre autor e leitor em níveis bem diferentes daqueles que existem entre uma pessoa e outra. Acho que posso definir isso como uma disposição afetiva em relação às coisas de ordem moral e intelectual. É puro afeto.</em></p>
<p>E entre o ídolo e o fã?</p>
<p><em>Bom, era basicamente sobre isso que eu falava.</em></p>
<p>Então somos nós.</p>
<p><em>(&#8230;)</em></p>
<p>Não me olhe assim</p>
<p><em>Tudo bem.</em></p>
<p>Explique-me o lance da multiplicação do autor.</p>
<p><em>O autor é alguém de carne e osso no mundo físico, ocupa lugar no espaço, têm suas limitações, seu ponto geográfico, endereço, um tempo de vida igual a qualquer outro ser humano, tem necessidades biológicas, físicas e psicológicas, é feliz ou infeliz na medida de suas idiossincrasias. Mas quando ele deixa esse mundo e passa a pertencer ao mundo da literatura, ele se imortaliza. Pode estar em qualquer lugar do planeta ao mesmo tempo, ele não envelhece. Sua obra não perde a magia. E então ele passa do uno para o múltiplo, e a tendência é de sempre se multiplicar.</em></p>
<p>Mas existem autores que não se multiplicaram.</p>
<p><em>Sim, existem. Eles não conseguiram transcender. Veja, não é fácil chegar aonde eu e outros chegaram.</em></p>
<p>E de quem é a culpa.</p>
<p><em>Dos dois e de ninguém. Não há culpados.</em></p>
<p>Mas eu sei que você não se importa com tudo isso.</p>
<p><em>É verdade.</em></p>
<p>Este é outro motivo para eu amá-la.</p>
<p><em>Você me ama?</em></p>
<p>E não é sobre isso que falávamos desde o início?</p>
<p><em>Sim, eu sei.</em></p>
<p>Amar seus contos, romances, cartas&#8230; é amar você.</p>
<p><em>Mas você nunca me conheceu de verdade.</em></p>
<p>Mas existem varas formas de amar, e eu estou feliz por ter achado uma para mim.</p>
<p><em>Eu sei que sim. Amar é muito mais do que a palavra pode dizer.</em></p>
<p>O amor é maior que o universo.</p>
<p><em>É.</em></p>
<p>Quando eu te leio eu te pertenço.</p>
<p><em>Quando você me lê ou quando lê meus textos?</em></p>
<p>Para mim é a mesma coisa. Ler seus textos é como ler você.</p>
<p><em>Eu fico muito exposta quando escrevo.</em></p>
<p>Eu fico muito exposto quando te leio. Eu me sinto único quando estou com você. Mas por outro lado, sinto como se a distância de um universo tivesse de ser vencida para estar ao seu lado.</p>
<p><em>Assim é, porque assim sempre foi e sempre será. Quando o fã se iguala ao ídolo os dois morrem. O adorado e o adorador não pertencem ao mesmo mundo psicológico.</em></p>
<p>(&#8230;)</p>
<p><em>Agora foi você que me olhou com estranheza.</em></p>
<p>Não quero me igualar a você.</p>
<p><em>Não quis dizer isso, estava apenas filosofando.</em></p>
<p>(&#8230;)</p>
<p><em>Por que você não escreve um livro?</em></p>
<p>E me igualar a você? Jamais.</p>
<p><em>Não. Tenho certeza que isto nunca acontecerá. Eu também tenho meus ídolos e eles continuam onde sempre estiveram. E sabe de uma coisa? Apenas nós podemos tirá-los de lá, e eu não tenho intenção nenhuma de fazer isso.</em></p>
<p>Para mim, escrever é apenas dez por cento do prazer, os outros noventa estão na leitura. Gosto mais de ler do que de escrever.</p>
<p><em>Explique melhor.</em></p>
<p>Veja. Quando a gente escreve uma história só o fazemos uma única vez. Mas podemos lê-la infinitas vezes, e é isto que me dá mais prazer: ver as idéias ali no papel, as palavras, as frases, a trama bem escrita. Então só fico satisfeito quando no fim, depois de muitas leituras, eu digo: não parece que foi escrito por mim.</p>
<p><em>Mas assim você não está se valorizando.</em></p>
<p>Ao contrário, estou me igualando a todos os outros autores de sucesso.</p>
<p><em>Então este é seu medo e por isso não escreve.</em></p>
<p>Eu pertenço ao mundo dos leitores.</p>
<p><em>Somos todos leitores, meu caro.</em></p>
<p>Se um dia eu escrever um livro de sucesso terei de passar pelo que você está passando agora?</p>
<p><em>Se você encontrar um leitor como você, sim.</em></p>
<p>(&#8230;)</p>
<p><em>Você acha isso engraçado?</em></p>
<p>De certa forma sim.</p>
<p><em>(&#8230;)</em></p>
<p>Você também acha.</p>
<p><em>(&#8230;)</em></p>
<p>É uma felicidade estrangeira.</p>
<p><em>(&#8230;)</em></p>
<p>O que foi?</p>
<p><em>Será a sua “hora da virada”.</em></p>
<p>Ah, você é demais.</p>
<p><em>(&#8230;)</em></p>
<p>“Minha” autora.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/drageasliterarias.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/drageasliterarias.wordpress.com/115/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/drageasliterarias.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/drageasliterarias.wordpress.com/115/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/drageasliterarias.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/drageasliterarias.wordpress.com/115/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/drageasliterarias.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/drageasliterarias.wordpress.com/115/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/drageasliterarias.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/drageasliterarias.wordpress.com/115/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/drageasliterarias.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/drageasliterarias.wordpress.com/115/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/drageasliterarias.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/drageasliterarias.wordpress.com/115/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=drageasliterarias.wordpress.com&amp;blog=9184433&amp;post=115&amp;subd=drageasliterarias&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>DEUS-HISTÓRIA &#124; Alexandre Costa</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Dec 2009 19:34:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexandre costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes da história havia uma história que contava os fatos não como acontecem, mas como poderiam ou deveriam acontecer, e por todo o tempo passado e futuro houve quem acreditasse nessa história. Verdade é, ou parece ser que ela sempre houve, a história. Se começarmos pelo início, porque é assim que tudo deveria começar – [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=drageasliterarias.wordpress.com&amp;blog=9184433&amp;post=113&amp;subd=drageasliterarias&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://drageasliterarias.files.wordpress.com/2009/12/000_conto_deus-historia.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-112" title="000_conto_DEUS-HISTORIA" src="http://drageasliterarias.files.wordpress.com/2009/12/000_conto_deus-historia.jpg?w=350&#038;h=500" alt="" width="350" height="500" /></a></p>
<p>Antes da história havia uma história que contava os fatos não como acontecem, mas como poderiam ou deveriam acontecer, e por todo o tempo passado e futuro houve quem acreditasse nessa história. Verdade é, ou parece ser que ela sempre houve, a história. Se começarmos pelo início, porque é assim que tudo deveria começar – e que ninguém se engane com toda essa simplicidade colocada no papel – a história é Deus ou Deus é a história ou os dois juntos. Aqui nessas páginas onde tudo acontece por pura necessidade e urgência, eu sou aquele que escreve a história, e você é aquele que tomado de uma surpresa instável e breve a lê – com uma destreza lúdica de mocidade e grandeza. E para que haja a história é necessário haver a minha vida e a sua vida, porque a história e a vida de quem a conta e de quem a lê é esse contato entre o <em>não sei o que</em> e o <em>antes.</em></p>
<p>O <em>antes</em> é um deus- passado que se manifesta antes das coisas se manifestarem, o <em>não sei o que</em> é o deus-futuro, o destino – a sucessão dos fatos que podem ou não ocorrer. Mas, antes da história havia um coração vazio – meu coração vazio se reduz num desejo de existir. Os dois juntos num <em>ato-de-pensar</em> deu início ao verdadeiro começo de tudo. Através de muito trabalho, essa história se escreve e escreve a minha vida, a sua vida, e escreve a vida de todos. Então, no princípio havia esse substantivo, sempre houve: o substantivo que espera o adjetivo, que espera o verbo. O primeiro nome; o primeiro fato; o primeiro capítulo nunca existiria se não houve o vazio – o algo para preencher.<br />
O vazio – aquilo que não contém nada – mas que deseja, era a dor do mundo, era a sua própria dor, a minha dor, era a dor que contava a história e que contava tudo antes de acontecer. A pré-história narrava o aparecimento antes de tudo aparecer, e narrava como começara a história e como tudo passara a existir, mesmo antes de tudo haver se formado ou existido. Então, Deus que é a história, que é Deus, que foi contada pela pré-história mesmo antes de tudo, narrou que o canto seria uma prece, um meio de encontrá-lo onde quer que ele estivesse ou fosse estar; que a história jamais teria a chance de se antecipar aos acontecimentos e a Ele – contaria seus casos apenas quanto tudo já fosse passado.<br />
E a pré-história – que na verdade contava a história de um Deus de trás para frente, seria a própria felicidade, o primeiro ato de Deus, e que guardou-a no futuro para que eu e você sempre a buscássemos, olhando daqui do presente como quem olha uma estrela solitária numa noite negra e vazia, como se fossemos o último homem olhando essa estrela de um velho farol.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/drageasliterarias.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/drageasliterarias.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/drageasliterarias.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/drageasliterarias.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/drageasliterarias.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/drageasliterarias.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/drageasliterarias.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/drageasliterarias.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/drageasliterarias.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/drageasliterarias.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/drageasliterarias.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/drageasliterarias.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/drageasliterarias.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/drageasliterarias.wordpress.com/113/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=drageasliterarias.wordpress.com&amp;blog=9184433&amp;post=113&amp;subd=drageasliterarias&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Alexandre Costa</media:title>
		</media:content>

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		<title>ITINERÁRIOS &#124; Roberto Prado</title>
		<link>http://drageasliterarias.wordpress.com/2009/11/27/itinerarios-roberto-prado/</link>
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		<pubDate>Fri, 27 Nov 2009 12:56:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexandre costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>

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		<description><![CDATA[Cid abre a janela, um ônibus passa na avenida, e ele vê um jovem encostado, quase dormindo com a cabeça encostada no vidro, e nesse momento, Eli – esse é o nome do jovem – dá com seus olhos nos olhos de Lena, que sonhadora, pensa em João no momento em um jato passa sobre [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=drageasliterarias.wordpress.com&amp;blog=9184433&amp;post=110&amp;subd=drageasliterarias&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://drageasliterarias.files.wordpress.com/2009/11/000_conto_itinerarios.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-109" title="000_conto_ITINERARIOS" src="http://drageasliterarias.files.wordpress.com/2009/11/000_conto_itinerarios.jpg?w=350&#038;h=500" alt="" width="350" height="500" /></a></p>
<p>Cid abre a janela, um ônibus passa na avenida, e ele vê um jovem encostado, quase dormindo com a cabeça encostada no vidro, e nesse momento, Eli – esse é o nome do jovem – dá com seus olhos nos olhos de Lena, que sonhadora, pensa em João no momento em um jato passa sobre a cidade, João vai embora do país, cansado e desiludido – jurou nunca mais voltar.<br />
O motorista do coletivo segue seu caminho diário e rotineiro, impermeável às misérias que carrega ou o cerca, e por pouco atropela a velhinha na faixa de pedestre. Ela levanta a mão e roga-lhe alguma praga, o ônibus faz uma curva à direita e passa pela banca de jornal de Pedro que acena-lhe um bom dia e volta a leitura do jornal do dia que estampa um crime hediondo, como qualquer crime deveria ser, hediondo, e por um segundo pensa ter reconhecido a foto de um dos suspeitos nos passageiros do ônibus que acabou de passar, mas deve ser engano pensa, pois ele  vê todo o tipo de gentes durante o seu dia, e seus dias são tão longos&#8230;<br />
Cid continua à janela, olha para o céu, acha que chove, mas Cid não tem inclinações para meteorologista e sempre erra suas previsões, toca o telefone, imagina que seja Verônica, erra, erra feio, pois não te inclinações para adivinho, atende e é Débora, ele foge de Débora há semanas, como ela encontrou seu número? Sabe que nunca saberá, Cid nunca sabe, desconhece a leitura dos sinais, não reconhece o perigo nem tropeça nele.<br />
Atende ao telefone com voz fria e distante, impessoal, Débora pergunta se tudo está bem, ele diz que sim, Cid mente mal, ela percebe, chora e percebe que Cid não a quer mais, silêncio e por fim desliga sem despedir-se. Cid fica com a mão direita sobre o aparelho por alguns segundos, talvez o telefone tocasse outra vez, e dessa vez seria Verônica, mas o aparelho não tocou e Cid retornou à janela e vê nuvens pesadas de chuva cobrir o céu, a chuva será rápida, diz, mas ele erra e choverá por quatro dias e meio. Enquanto esses acontecimentos ordinários se desenrolam, Eli chega à escola, atrasado, corre para a sala de aula, é repreendido pelo professor, hoje é dia de prova, havia esquecido, o dia vai de mal a pior, pode sentir isso nos ossos. Lá fora o céu já está carregado, além da bronca, ir mal na prova chegará molhado em casa, quem entende esse clima?</p>
<p>Lena no escritório não consegue focar-se no trabalho, de quando em quando olha para o celular, sente ganas de ligar para João, talvez ele ainda esteja com o seu aparelho ligado, talvez ela consiga falar com ele, talvez ele mude de idéia e reembarque de volta ao descer no aeroporto, talvez, toca o interfone e ela não terminou o relatório, talvez ele esteja lendo o livro que ela lhe deu, não daqui a pouco entrego os relatórios, talvez ele ache a carta que ela colocou na página trinta e cinco, mais dez minutos e já levo os papeis!, talvez, talvez eu peça as contas desse escritório e vá atrás dele&#8230;<br />
O motorista já começa a segunda viagem do dia, a velhinha volta das compras com a sacola cheia de legumes, traz sob o braço esquerdo uma baguete, a chuva fina começa, o motorista liga os limpadores do pára brisas, e a velhinha amarra um lenço sobre a cabeça, o ônibus faz a curva no momento em que a velhinha atravessa a rua, ele freia para dar-lhe passagem, mas o carro que vinha esquerda segue em frente, passa numa poça d’água e molha a velha, essa encharcada faz o mesmo gesto ao motorista do ônibus, ele sorri, está acostumado com ela, e pensa como vai ser o dia em que ela morrer, ela chega à calçada e faz outro gesto ao motorista e discretamente sorri, essa é sua única alegria, ofender o motorista, e pensa como será o dia em ele mudar de linha. Em casa enquanto corta cenouras pensa no motorista e chora com as cebolas.<br />
Cid fecha as janelas, a chuva engrossa e começa a molhar o seu quarto, o telefone não toca mais, ele volta a deitar-se, tentar ler o livro que comprou num sebo, começa a folheá-lo, em busca de ilustrações que lhe prendam a atenção, e na página trinta e cinco cai uma carta que ele lê com avidez, e desinteressa-se pelo livro, na casa da velhinha a sopa está quase pronta e o telefone toca, ela atende lentamente, sem pressa, ela já não tem pressa para mais nada, é a filha dizendo-lhe que o avião do filho já decolou e que ela torna a ligar quando ele chegar a Londres, lá já deve estar fazendo frio, diz a velha, e eu aqui fazendo a sopinha de legumes que ele gosta tanto, falam mais uns poucos minutos e ela desliga.<br />
A chuva engrossa, troveja, e logo chega a noite. A sopa de legumes esquenta os ossos da velha, antes de deitar-se ela vai ver o que falta na geladeira, assim ela terá a chance de xingar o motorista do ônibus a caminho de mercado amanhã.<br />
O motorista enquanto janta com a família, diz que acerta o relógio pelos gestos obscenos da velha, por isso nunca atrasou o seu trajeto, e por causa dela ainda vai conseguir uma promoção, uma linha melhor, Verônica ri, e serve a sobremesa ao marido.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/drageasliterarias.wordpress.com/110/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/drageasliterarias.wordpress.com/110/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/drageasliterarias.wordpress.com/110/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/drageasliterarias.wordpress.com/110/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/drageasliterarias.wordpress.com/110/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/drageasliterarias.wordpress.com/110/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/drageasliterarias.wordpress.com/110/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/drageasliterarias.wordpress.com/110/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/drageasliterarias.wordpress.com/110/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/drageasliterarias.wordpress.com/110/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/drageasliterarias.wordpress.com/110/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/drageasliterarias.wordpress.com/110/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/drageasliterarias.wordpress.com/110/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/drageasliterarias.wordpress.com/110/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=drageasliterarias.wordpress.com&amp;blog=9184433&amp;post=110&amp;subd=drageasliterarias&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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